Larguei tudo
Quando até o trabalho dos sonhos vira motivo de greve
Em 2024, depois de 4 turmas bem-sucedidas do Mol, comunidade e marca consolidadas e uma metodologia autoral desenvolvida, eu me vi subitamente paralisado.
O cursor piscava na página em branco e eu não conseguia escrever nada.
Eu estava no auge – aquilo que eu sempre sonhei em oferecer pro mundo acontecia diante dos meus olhos, mas, por algum motivo irracional e misterioso, meu corpo decretou greve.
Burnout ou preguiça? Desilusão ou errância?
Vai saber.
Eu achava que o fato de eu ter encontrado minha “vocação” muito cedo me blindaria em relação a crises assim.
Ingênuo, eu sei.
No fundo, meu amigo Yaacov é que estava certo: em processos de descoberta, as fases de germinação são sempre seguidas por fases de deriva.
A gente surfa num dia de sol e depois vem a tempestade.
Às vezes essas fases de deriva e desorientação nos remexem a tal ponto que geram apatia, angústia, depressão.
Racionalmente eu sabia que podia acontecer, mas emocionalmente eu não estava preparado.
Não me sobrou opção a não ser cancelar o lançamento que eu botei de pé com tanto esforço.
E tentar desembolar o nó que a minha vida profissional tinha se tornado.
Muitos meses se passaram. Com o Mol – que, além das turmas pagas, também era uma comunidade –, eu fui empurrando com a barriga.
Criei estratégias para que tudo fluísse sem depender de mim.
Ainda assim, eu não estava fluindo.
Demorou quase um ano, mas o que eu teimava em não aceitar finalmente me colocou contra a parede.
Saí da minha própria comunidade.
Vivi um luto grande. Não foi fácil.
A sensação era de ter deixado a peteca cair, não por não acreditar mais, mas porque meu corpo me pediu – ou melhor, me exigiu – outros rumos.
Fui desembrulhando esse rodopio da vida aos poucos. Comecei a ler com uma profundidade e uma rapidez que eu não estava acostumado. Aprendi a tocar instrumentos. Me enfiei no mato.
Descobri mundos inteiros que eu nem sabia que existiam.
Me desidentifiquei do meu trabalho.
Criei novos eixos de vida, espalhei minhas raízes.
Fiz as pazes com meu medo de ficar só – que a fixação com o trabalho mascarava – e comecei a apreciar minha própria companhia.
Foi profundo, intenso e esclarecedor.
Mas não era segredo pra mim que, mais dia menos dia, eu ia voltar.
Só que, nessa volta – que você está testemunhando enquanto me lê aqui –, a base metodológica que eu criei não ressoava mais como antes.
Estou falando das Arquiteturas de Aprendizagem Autodirigida (A³). Continuo as achando incríveis, mas, assim como outras coisas maravilhosas que eu botei energia no passado, elas perderam o encanto pra mim.
É difícil admitir isso, pois trato minhas criações como criaturas vivas (sim, um pouco maluco, você tem razão). Mas é verdade.
O que estou criando agora – e que você vai conhecer mais no Nibs 0→1 – bebe diretamente das Arquiteturas.
Nesse sentido, não é uma ruptura. É uma evolução.
Só que não é uma evolução qualquer. É um divisor de águas.
O Metaprompt é uma nova ciência educacional. Um método, infinitas possibilidades de aprendizagem autodirigida e em comunidade.
Uma “bomba de sementes” de descoberta.
Um modelo de disseminação escalável e mensurável para experiências de transformação humana.
Tudo baseado na ideia de “promptar humanos”. A IA como metáfora me parece um bom caminho para subvertê-la.
Dois anos atrás, o prompt que recebi da vida foi: tolere o desconhecido.
Hoje vejo que ter ficado à deriva me trouxe exatamente o que eu precisava.
De 15 a 22 de abril, nós vamos aprofundar no Metaprompt dentro de um programa online e gratuito chamado Nibs 0→1.
Durante 7 dias, você é meu convidado para explorar a potência desse novo método de aprendizagem.



Foi muito bom ler seu texto hoje. Me identifico muito com sua fase anterior de tolerar o desconhecido e fiquei de ver que encontrou um caminho novo para direcionar sua energia. Muito sucesso nessa nova etapa.
Esse texto me tocou porque, de alguma forma, estou passando por isso atualmente.
Externamente, muitas coisas ainda estão em andamento. Planos, conceitos, dinamismo.
No interior, há um espaço que já não reage da mesma forma.
É curioso constatar isso exatamente quando, em teoria, “deveria” estar tudo encaixado.
A sensação de não se identificar completamente com aquilo que você mesmo criou... é desestabilizadora.
Porque não se trata de falta de fé ou de habilidade.
É uma questão diferente. Mais quieta. Mais complicado de esclarecer.
Eu tenho experimentado pessoalmente esse aspecto que você mencionou.
às vezes, não se trata de ajustar ou pressionar
é sobre reconhecer que algo se transformou, mesmo sem ter clareza sobre as consequências disso
E, igualmente, continuar a apoiar espaços, indivíduos e responsabilidades.
Quem sabe se trata dessa fase de deriva mencionada
não se trata tanto de se desviar da rota
e também sobre a falta de certeza em relação ao próximo passo
Em meio a tudo isso, meu esforço tem sido para não me perder durante o processo.
pois já deu para notar que insistir na clareza prematuramente apenas intensifica o desgaste
Não possuo uma resposta imediata
Reconhecer isso já altera um pouco a forma de enfrentar as situações.